quinta-feira, 25 de julho de 2013


Esse acho que foi um dos primeiros contos que escrevi...Todos temos algo do que nos envergonhar....rs....Obs: Não bebo cerveja 



Bar do Antunes

 

 

                A mulherada hoje em dia está uma loucura, enquanto, nós homens, pensamos ser os caçadores, nada mais somos do que presas, a espera de que elas nos escolham, olhem para nós e digam: Quero você!!!!

                Antônio, eu no caso, não sou muito de me reunir com os amigos depois do expediente para o famoso happy hour, mas, o calor dos últimos dias me forçou a participar do que chamo de reunião de desocupados de plantão. Calma!!! Explico, tanto eu como meus amigos desocupados, temos trabalho, alguns tem família e uns poucos, inclusive, responsabilidade.

                Mas deve existir (claro que existe) coisa melhor do que ficar num barzinho apinhado de gente, sendo mal servido e tomando cerveja quente ou chope mal tirado. E os papos então!!!! Invariavelmente acaba em pelada, ou seja, só se fala de futebol e mulher. Novamente, antes que o leitor me ache uma aberração, informo que adoro bater minha bolinha e assistir meu futebolzinho de Domingo, de preferência com uma loira gelada (a cerveja) e uma peladinha me acompanhando (isso mesmo, nuinha em pelo).

                Voltando ao meu relato, vivo me perdendo em minhas próprias idéias, estou eu no Bar do Antunes, esperando pela minha cervejinha e beliscando de leve aquela batatinha já fria, quando ao olhar pelo lado vejo aquela mulher, quase moça, me encarando, olho para os lados, como se tentando provar a mim mesmo que foi apenas um olhar cruzado.

                Meu amigo, está a conversar comigo, vejo sua boca se mexer, mas não escuto absolutamente nada, estou bebendo minha cerveja, que neste momento está bem menos gelada do que deveria, presumo.

                Fico a encarar aquela mulher, ela bebe uma coca-cola, me perdoem as outras mulheres, mas acho muito sexy, uma mulher bebendo coca-cola do que cerveja. Ela é terrível, percebeu que caí em sua armadilha ocular, bebe o refrigerante com displicência, como se estivesse brincando, o gelo que vem a seguir é chupado com classe e depois devolvido ao copo. Não, não é nojento, estivessem vocês a vendo com meus olhos, estariam babando, como devo estar. O gelo vai e volta, passeia naquela boca, ora desejada, a língua dela é uma sinfonia de Beethoven, rápida, envolvente e o faz viajar.

                Em minha viagem só coube eu, ela, e um ou mais pedacinhos de gelo, imagino o estrago que aquela boca não faria, ao ter aquele pensamento, cometi um crime, sem culpa é verdade, e me vi cerceado em minha liberdade, já não mais podia ir e vir, sem ser alvo de olhares indiscretos.

                Meu dilema, como deve acontecer com a maioria dos leitores que já passaram por essa situação, era: Devo agir ?

                Fico aqui me deliciando com esse joguinho sensual, ou vou até a mesa dela e aplico o charme que penso que tenho, ou a cara de pau dos termos da adolescência. O que você faria ?

                Bom, no meio de minha indecisão, sou tirado do transe, pelo cutucão de meu amigo, João, que queria minha opinião abalizada, segundo ele, sobre uma discussão acalorada que travava com Pedro.

                Falei algo para João que em verdade nem me recordo. Levantei da mesa, estufei o peito e iniciei a travessia.

                Porém, caro leitor, como na maioria das vezes, algo nos surpreende. Ainda no início de minha travessia, refreei meus impulsos, ao ver minha eventual conquista ser beijada por um cara que apareceu do nada, como se estivesse na espreita para a defesa da presa.

                A volta à mesa era inevitável, porém para salvar minha dignidade, que queria intacta, me pus a reclamar com o garçom que por ali passava, das cervejas quentes e das batatas frias. Devia ocorrer o inverso.

                Ao retornar ao meu lugar cativo, fui recebido por João e Pedro, que me contaram, de novo (?) a história a ser resolvida, a final, segundo meu entender João estava com a razão. A pendência amigável me fez esquecer por alguns instantes o porque de eu ainda estar naquele bar.

                Olhei para a traidora, como que por desencargo, ela estava sozinha, tinha uma amiga por perto, mas o beijoqueiro não mais fazia parte do cenário.

                Fiz o que me restava na tentativa de salvar o orgulho de macho, dei aquele olhar de despedida, que para minha surpresa foi acolhido, estava de novo no jogo, pensei. O sorriso era doce e sensual, ela encolheu os ombros e de seus lábios vermelhos captei a mensagem: desculpa, é meu namorado.

                Veja leitor se é possível ? Ela me pediu desculpas, fiquei lisonjeado com a atenção e dei uma piscada, parecia que nos entendíamos de novo, quando, então, desgraçadamente, a ave de rapina ressurgiu das cinzas, pagou a conta e a puxou pelo braço, ela iria embora.

                Ela se foi, com ele,  é verdade, mas não antes de receber um beijo enviado com minhas mãos, quando olhou para trás, com aquele sorriso provocante.

                - î, olha o cara. - falou João ao perceber, finalmente, o que me prendia até aquele momento, já que era de se estranhar a minha presença por tanto tempo.

                Nem preciso falar que minha história passou a ser o centro principal do bate-papo, e a conversa que se passou, fez com que as batatas não parecessem tão frias e a cerveja nem tão quente. Passei a freqüentar o Bar do Antunes regularmente (podem acreditar), e como freguês habitual passei a ter cerveja gelada e batatas crocantes. (acreditem de novo)

                Não sei quanto a vocês caros leitores, mas, é bem melhor ser o escolhido não é ? E quanto a minha, ou melhor, nossa paquera, algum tempo depois, a encontrei novamente. Ela ainda possuía aquele olhar ávido e sensual e os lábios molhados de gelo, mas isso fica para outro dia.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

LIVRO ON LINE....


O quarto homem foi puxado para dentro do carro que saiu em alta velocidade. O policial ainda o acertou na perna.  A mulher que estava do lado do passageiro ainda disparou em direção do policial! Com o tempo as pessoas foram se levantando! O policial olhou para trás e gritou:

- Chamem um Médico!

A atendente estava estirada no chão e um filete de sangue escorria pelo calçamento!

Ele chegou perto dela e percebeu o corpo sem vida! O tiro que era para ele a alvejou e foi certeiro no coração!

Ele se ajoelhou:

- Desculpe! Disse passando a mão sobre os olhos dela, cerrando-os!


Joana pediu para o táxi parar, para poder descer, estava com pressa de chegar ao Plantão! Tinha dormido tarde e estava atrasada!

- Melhor mesmo Doutora! Parece que teve um tiroteio no IML ao lado do hospital! Falou o taxista!

À medida que foi andando pela calçada, viu viaturas, uma confusão e tão logo pôs o jaleco, ouviu:


- Você! Isso! Não é médica? Falou o policial.

 Joana se aproximou, passou pelo corpo de uma moça e viu o rapaz com a mão na perna!

 - Fiquei tão transtornado que a moça morreu, que nem vi o outro ferido! Disse o angustiado policial.

 Joana abriu sua maleta e deu um primeiro atendimento!

 - Fique calmo! Não atravessou! Você ficará bem.

- O que aconteceu? Perguntou ao policial!

 - A moça que morreu! Falou o policial apontando para o corpo! - Me acionou! Disse que uma moça e quatro homens vieram atrás de um cara morto ontem! Fizeram perguntas estranhas! Queriam o celular dele! Quando me identifiquei, começaram a atirar! A última coisa que ela me disse foi:

 - A mulher que disse ser esposa dos olhos azuis nem parecia estar triste!

Joana pôs a mão por cima de sua bolsa como que "protegendo" o celular que era de olhos azuis, e pensou:

 - Meu Deus, o que eu faço com isso?

 - Calma Doutora! Falou o policial quando o celular tocou!

 Apesar de ser o seu celular que estava tocando, em razão de seus pensamentos, Joana demonstrou nervosismo!

 - Alô?

- Joana? É Rafael, pode falar?

 - Posso!

 Neste instante várias viaturas da Policia Federal em alta velocidade se aproximaram e os policiais podiam ser vistos pelas janelas dos carros empunhando suas armas.

 - Alô? Alô? Falava Rafael!

 Joana por sua vez se encolheu enquanto o batalhão passava com truculência, o que fez com que evidentemente se esquecesse de Rafael!


Joana ficou cega por um segundo quando o reflexo do sol na arma do policial entrou em seus olhos! Os policiais pareciam não ter fim! Tudo parecia em câmera lenta e visto de forma sequencial: o rapaz baleado sendo atendido; a mãe da moça morta que chegou em desespero; a policia parecendo uma matilha e por fim o sol escaldante!


Não parecia uma boa ideia, mas a mulher que ligava desesperada para o celular de Giuseppe não conseguia mais esperar. Tinha que ir atrás dele, mas como? Olhou o passaporte e os dólares e euros na cômoda e lembrou-se do que Giuseppe disse antes de sair há três noites:

- Mio amore! Due giorni! Dopo non mi aspettare! Prendere l' aereo!

Rafael estava rumo ao fórum na Praça João Mendes para retirar um alvará e como de costume parou na Rua da Gloria para tomar um café.

Ainda inconformado por ter o telefone desligado na cara, pela segunda vez, ouviu a conversa de dois policiais militares:

- Ficou sabendo do tiroteio no IML? Morreu gente e parece que está infestado de federal!

- É! Eu vi a pouco na televisão no ponto de táxi! Disse indicando com a mão!

Rafael foi comendo o pão com manteiga e se imiscuiu próximo da pequena televisão! Ouviu a jornalista dizer:

 - Tiroteio e morte no IML, vamos com imagens ao vivo!

 Não acreditou quando a repórter andando pelo local, parou e perguntou:

 - Você é medica? Viu o que aconteceu? Muitos mortos?

 - Joana... - De forma muda disse Rafael.

Joana só queria sair de lá o mais rápido possível e ir trabalhar! O celular de olhos azuis em seu bolso parecia pesar uma tonelada!

Rafael terminou seu pão com manteiga e andou em direção ao fórum meneando a cabeça e seus botões pensaram:

 - Qual a probabilidade disso acontecer?

 A rua foi esvaziando, a reportagem acabou! Joana respirou aliviada, enfim!
Um outro conto escrito já faz um bom tempo.
Sempre me perguntam se verdade ou ficção?
A graça está aí, pura imaginação ou fantasiosa realidade.
De qualquer sorte, esta aí no papel.....




Fim de semana, praia, calor.

         Depois de algum tempo sem descanso, me vi em plena cidade do Rio de Janeiro, o calor quase insuportável, relaxava o corpo, molhado de sal, e queimando ao sol escaldante de 40 graus.

         Apesar do cenário aparentemente cruel, estava adorando meu momento, mergulhos esporádicos, na água gelada, revigoravam a alma e o espírito, dando forças para mais calor, suor e areia.

         De repente, uma onda veio em minha direção, onda de pessoas e não de mar. Gritaria, pessoas atropelando-se umas às outras, arrastão, arrastão, bradavam.

Eu munido apenas de meu corpo e minha sunga, não me preocupei, de inicio, no máximo levariam meu chinelo, entretanto, o desespero das pessoas era intenso.

Levantei-me rapidamente para não ser pisoteado. Sem quase poder esboçar reação me vi sendo levado pela correnteza humana. Para minha surpresa, senti um braço me puxando, um olhar em desespero, pedindo ajuda. Uma moça, quase menina, assustada, clamando por proteção, ajuda ou algo do gênero.

Em movimento de reflexo a abracei e a comprimi contra meu corpo, e ficamos assim, esperando a massa passar, se dissipar. Sentia o corpo dela, quente, molhado de sal e de areia como o meu, junto de mim, minhas mãos em suas costas a protegê-la. Ela muda, calada, sem se mexer, sentia apenas sua respiração ofegante, seu coração batendo forte quase no passo de uma Timbalada.

Os garotos, crianças, que passaram, cara de maus, alguns até armados, iam pegando tudo que viam pela frente, nem nos olharam, levaram meu chinelo, continuamos ali, quietos imóveis, os corpos colados.

Acabou eu disse. Fiz menção em me desgrudar dela, entretanto, suas unhas cravadas em minhas costas, teimavam em me segurar.

À medida que as pessoas voltaram a deitar na areia, o barulho do frescobol, o vendedor de suco gritando, ela percebeu que havia terminado a avalanche. Constrangida, se soltou de mim, parecíamos colados. Pude olhá-la por um instante, menina moça, mulher, cara de criança, corpo de mulher, não era alta, mas tinha o corpo extremamente curvilíneo, seios fartos, realçado pelo biquíni de crochê, que era preso a seu corpo por um frágil laço, a barriga torneada e bronzeada, assim como suas pernas.

Mal trocamos um olhar, sorrimos, ela falou um doce – obrigada - olhou para os lados, como procurando alguém ou um lugar, e se foi, olhei a ir, observando-a, vendo seu corpo, seu jeito doce e feminino de andar.

Peraí.....Falei ou pensei......Seu nome, seu telefone, quem és....não deu tempo.

Noite carioca, mesmo calor, sem sal e areia.

Indicaram-me no hotel um bar restaurante, com lounge e espaço de dança. Fui.

O ambiente realmente era agradável. Sentei-me numa mesa, longe da badalação, pedi um copo de vinho e um sanduíche de rúcula com filet, para enganar a fome e me inteirar do local.

Já alimentado fui olhar o espaço de dança, lotado. Mal e Mal conseguia se andar, me virei para voltar a meu lugar quando dei um encontrão com uma mulher, ela começou a rir. Eu não entendi, olhei para mim, para minha roupa, havia algum problema, perguntei?

Ela disse, você não se lembra? De mim? De Hoje?

O corpo colado, sol, areia, suor......A resposta veio imediatamente.

Lembro, claro, na praia hoje, desculpe, você está um pouco diferente, falei, sorrindo.

Ela estava com um vestido preto, fendas nas pernas, de lado me era possível reparar, no decote nas costas, o perfume dela era, simplesmente era....Doce, inebriante.

Fui rápido desta vez e a convidei para minha mesa.

Estava louca para sair desta bagunça disse ela, apesar de adorar dançar.

Conversamos, conversamos e conversamos, a conversa fluiu que nem onda do mar, ela me disse um pouco de cada coisa, fiquei sabendo tudo e quase nada.

De repente notamos que a casa não estava mais tão lotada, fomos dançar. O corpo dela se mexia com um ritmo impressionante, variava de acordo o estilo da música.

De novo, não vimos o tempo passar, dançamos, rimos, toquei no corpo dela pela segunda vez ao pegar em sua cintura, a primeira havia sido na praia de manhã, porém, agora, senti uma corrente elétrica me percorrer, e percebi que ela sentiu o mesmo. Um misto de excitação e constrangimento nos tomou.

Está tarde, preciso ir, disse ela, vou chamar um táxi.

Nem pensar, eu disse, estou de carro, te levo para aonde você quiser. Ela refutou, receosa, estava, porém, acho que lembrando de mim, salvando-a na praia, sendo que sequer aproveitei da proximidade entre nossos corpos, acho que ela se sentiu mais tranqüila e disse um gentil, tudo bem!

Na volta, me informou o caminho, estava na casa de uma tia nas laranjeiras, fiz o caminho da praia, paramos para tomar uma água de coco.

Na volta para o carro, ao ajudá-la a prender o cinto de segurança nos encontramos, o beijo foi inevitável, as bocas se entrelaçaram, e em um segundo o beijo se tornou forte, ardente, voraz. Minhas mãos percorriam a nuca subindo pelos cabelos enquanto mordia os lábios e a beijava intensamente.

Parei. Olhei para os lados e disse: é perigoso ficar aqui. Vamos.

Chegamos em laranjeiras. Ela desceu do carro, pegou um papel e escreveu seu telefone, da janela me deu um beijo, forte, intenso e gostoso, de despedida.

Desceu, eu olhando-a ir, ela voltou, me olhou, olhou para os lados, e docemente, rindo, como uma menina, com um olhar de mulher, mexeu o quadril e usando uma das mãos, habilmente, quase sem que nada pudesse ser visto, tirou a calcinha até seu calcanhar, e como se nada estivesse acontecendo pegou a com as mãos e me entregou.

Fiquei parado no carro, vendo-a ir, a sua calcinha em minhas mãos.

Ela do portão sorriu e me disse:

É perigoso ficar parado no carro. Ligue-me segunda que a gente se encontra em São Paulo.
 
 
São Paulo.............................
A vida é tão breve e passageira....
As pessoas são vaidosas, preocupadas, deixam de atender uma ligação, de dar um pouco mais de si....
Eu me incluo nisso.
Daí, uma moça cheia de vida, em férias, é atacada por um tubarão, e tudo acaba.
Se perde o que nunca se chegou a ter...
Pense nisso.




Como uma foto esmaecida, foi

Alegria amarelada esfacelou

O grito ensudercedor ignorou

O deambular acolheu preferiu

 

A terra seca de dor chorou em pó

Água que sumiu e de mim levou

A esperança, o encanto, o amor

Vai, Vou, que se faça sua vontade

 

Um dia qualquer o céu vai chorar

Lágrimas que vão irrigar a morte

A terra ira respirar e florescer

Caminhada que não tem volta

 

Assinado postado e entregue

Imagem que virou cartão postal

A vida é assim não para e acaba

Pena que perdi o que nunca tive

 

terça-feira, 23 de julho de 2013

LIVRO ON LINE....


- Verdade! Mas se você não disser quem é? Eu não resistiria! Falou Rafael.

 - Hum! Você me espera na linha? Disse uma aflita Joana.

 - Espero claro! Falou Rafael.

 Joana pegou o telefone com um lenço umedecido e apertou a tecla viva voz!

 A pessoa do outro lado da linha percebendo que a ligação foi atendida, disse:

 - Giuseppe? Amore mio!

 Joana sem saber o que dizer desligou!

Joana veio ofegante ao telefone, mas não conseguiu falar de tão agitada!

 - Que foi? Tudo bem? Calma! Conte-me! Disse Rafael tentando acalmá-la!

 - Era uma mulher! Acho que a namorada ou esposa dos olhos azuis! E o nome dele era Giuseppe!

 - Como você sabe? O que disse? Perguntou um curioso Rafael!

 - Porque ela disse o nome e chamou-o de amor! Respondeu Joana!

- Bom, obrigada por ficar na linha! Vou dormir estou exausta! Falou Joana que se deu conta que ainda estava nua!

 - Ok! Amanhã então ligo para você e te passo os dados da seguradora! Falou Rafael que emendou:

 - Entregue o celular na delegacia!

 - Boa noite, obrigada! Vou mesmo! Acho que acabou a bateria e assim fico mais tranquila!


Era ainda quase noite, madrugada, o céu clareando, quando quatro homens e uma mulher entraram no IML!

 A mulher foi até a recepção e disse:

 - Vim reconhecer o corpo do meu marido!

 - Qual o nome dele? Morreu quando? Preencha essa ficha! Respondeu a atendente!

 - Ele morreu esta tarde! Estava sem documentos! Alto, claro, cabelos pretos e olhos azuis! Descreveu a mulher!

A recepcionista ergueu os olhos e fitou a mulher!

 - Olhos azuis? Seu marido? Sinto muito! Você tem alguma identificação dele?

 A mulher abriu a bolsa e por detrás da pistola semiautomática puxou uma foto dela com o homem de olhos azuis!

 - Meu Antônio! Falou a mulher! Posso vê-lo? Disse com voz chorosa!


A mulher e os quatro homens foram ver o corpo!

 - Por favor, não demore! Sem uma identificação legal não poderia deixar você aqui e ainda esses quatro! Falou a recepcionista.

 - São irmãos dele! Diga-me! Não foi achado nada com ele! Uma carta? Celular? Dinheiro? Perguntou a mulher!

 A recepcionista já nervosa e preocupada, pois a mulher sequer olhou o corpo ou demonstrou emoção, falou:

 - Porque a senhora não me deixa seu nome, endereço e telefone que peço para a polícia entrar em contato!


- Polizia? Disse um dos homens fazendo menção de tirar algo por debaixo do sobretudo!

 A mulher fez sinal de calma com as mãos e disse:

 - Andiamo!

 O terceiro dos homens chegou perto do corpo e cuspiu, não antes de dizer:

 - Traditore!

 A recepcionista indignada nem chegou a falar quando o quarto homem e até então impassível fez sinal de silencio com a mão e lhe mostrou a arma!

 No pequeno e discreto Hotel do centro de São Paulo, a mulher ligava sem parar e seu desespero aumentava! A ligação novamente caiu na caixa postal e ela disse!

- Giuseppe? Dove sei?

Olhou pela janela, como tinha feito há cinco minutos, abriu o correio eletrônico e nada!

 - São aqueles lá! Falou a atendente do IML para o policial.

 O quarto homem estava entrando na SUV quando ouviu o policial dizer:

 - Parado! Policia!

O homem sacou uma arma semiautomática e começou a atirar contra o policial, que reagiu atirando contra o veiculo!

As pessoas que estavam próximas procuraram abrigo!

 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Essa veio do nada! Surgiu! Diz tudo e nada ao mesmo tempo!
Forte e Leve! Doce ....

Hoje vou contar uma história 
Ela não tem pé e nem cabeça
Tem alma, sentimento e vida 
Respira e transborda em si

O doce adocicado do vinho...
Gosto forte intenso de sangue 
Cheiro de pele vento que voa 
Tempo que para e foge de mim

Engraçado parece ontem o hoje
Amanhã será verso e lembrança 
Sorriso escrito na areia é assim
A onda vem e leva sem pena e dó

Na aurora do final do caminho
Que um dia chegara cedo tarde 
O mar irá desenhar na areia 
Sangue, gosto, hoje, sorriso 

domingo, 21 de julho de 2013

Pequeno conto escrito faz cerca de 10 anos! Achei em um notebook velho.....

Aí vai....



Banho Doce


         O corpo já demonstrava o cansaço do dia.....desde a manhã ela andou, correu, falou ao telefone, aturou e suportou pessoas que de uma forma ou de outra cruzaram o seu caminho.

         O sol já se punha, aquele céu alaranjado contrastava com a fumaça dos caminhões e dos ônibus que levavam as pessoas para casa, mas não ela. Ela em seu carro, ouvia uma música que a transportava para uma outra dimensão...

         Um leve arrepio na altura da nuca...A moça sentiu-se desprotegida em plena Avenida Paulista, quem ou o que lhe dava a sensação de percorrer seu corpo?  Ajeitou-se no banco, apertou o volante com força e se deixou levar por aquela sensação estranha, intrigante, sensual, enfim deliciosa.

         O trânsito teimava em conspirar contra a necessidade que a consumia, um simples banho a faria feliz, fechou os olhos e foi quase possível sentir a água viajando pelos seus poros, pelos, em toda a sua extensão...

         De súbito, foi acordada de seu transe, ao olhar para o retrovisor, quase sorriu, porém conteve seu desejo, com receio da multidão que se postava atrás, indignada com aquela mocinha que despretensiosamente ousava em ficar parada em plena Sexta-feira com o sinal verde se oferecendo.

         Ao descer do seu carro, esticou os braços, as pernas involuntariamente se contorceram, o estalar dos dedos foi um reflexo natural. A pressa que tivera até então, foi substituída por uma quase inércia. Antes era impedida de chegar a seu descanso, agora que ele chegara, parecia tão fácil dele usufruir, que só de birra, passou a criar obstáculos para ele, numa criancice sem precedentes... passou a divertir-se com o carro, as mãos suavemente fecharam os vidros, as pernas num leve toque fecharam a porta, pensou em algo ousado, mas já perdera a graça.

         A geladeira foi o primeiro alvo de sua desforra, o suco de laranja foi sugado em segundos, o excesso que escorreu em sua boca, blusa, nem foi levado em consideração, tamanho o prazer que ele, o suco, lhe estava proporcionando.

         As roupas eram sem nenhuma preocupação, atiradas ao chão, antes escolhidas a dedo em lojas de grife, hoje somente lhe restavam o azulejo frio da cozinha, o carpete da sala, o braço da escada, a peça última, privilegiada que foi, teve a maciez da cama como alento.

         O barulho da água tocando o chão...o leve respingo em seu rosto....A moça em fim, estava prestes a entrar na dimensão que tanto sonhara. Enquanto a banheira era devidamente preenchida com a água em sua temperatura ideal e enriquecida com sais, florais e outros que tais....A moça deixou-se jogar para dentro do chuveiro, da primeira gota a molhar-lhe a testa até as demais incontáveis gotas se apossarem de todo o seu ser, passaram-se segundos, décimos até, mas para, ela, somente ela, o tempo parou, congelou. Só era possível sentir a pele esfriar, o corpo relaxar, os cabelos aloirados molharam-se. E, como bela ela estava, molhada, livre, entregue por completo. Quantos homens, senão todos que possam assim ser considerados, não dariam tudo para serem reduzidos a um milímetro entre milhões de metros cúbicos de água por aí espalhados.

          Nem uma bomba atômica teria igual efeito devastador, aquele pequeno aparelho estridente, era responsável por um verdadeiro crime, ou melhor dois, o primeiro era tirar aquela moça de um estado antes nunca experimentado, o segundo era para quem quer ou o que estivesse a seu redor, ver aquela mulher, aquele corpo, se cobrir, mesmo que parcialmente pela toalha, que chata, estava, aonde infelizmente, deveria estar.

         A indignação era patente.

         - Como pode ? me tirar do banho, para isso ? - disse brava, em voz alta, mas sem repartir o conteúdo da conversa, com nós pobres mortais que a acompanham em sua trajetória.

         O telefone, antes odiado, foi o responsável por salvar seu meigo apartamento de ser inundado, a banheira já estava prestes a transbordar, a espuma, tocava o teto....- puro exagero do narrador- ....Sua mão, procurou por entre a água e espuma a torneira, enfim a achou.

         Livrou-se da toalha (os aplausos inaudíveis ecoaram pela casa). Ah, mas que perfeição... se ateu fosse, naquele ato me converteria, somente um ente chamado de Deus, poderia criar algo tão belo.... Frágil e poderosa, suave e forte, contradições ininteligíveis mas absurdamente apaixonantes.

         A medida em que seu pé foi engolido pela espuma, sua mente antecipava as horas de incontrolável relaxamento que estavam por vir...As coxas, as pernas, tudo.....foi sumindo à medida que ela ia se deitando na banheira....Com o corpo já todo coberto, esgueirou-se e ligou a hidromassagem. Nem Cristo a tiraria dali.

         A música que vinha do rádio, do quarto, ajudava-a a viajar, seus pensamentos eram vários e nenhum ao  mesmo tempo....

         Mordia de vez em quando o Croissant que esperta que era, trouxera para lhe fazer companhia....O seu corpo exigiu, e ela cedeu, uma mudança de posicionamento se fazia necessária, mesmo completamente apolítica, nada mais lhe restava do que apoiar a esquerda e para lá dirigir seus esforços.

         De repente, não mais do que de repente, no meio dessa mudança de partido, sentiu algo inesperado, aquele arrepio que sentira horas antes na Avenida Paulista, se repetira, só que com maior intensidade...

         Um barulho, igualmente inesperado, veio do andar de baixo, pensou em levantar, mas o medo, a tensão, o relaxamento e a própria imaginação de imaginar o fato de ser observada, nua, totalmente indefesa, a deteve.

         O arrepio teimava em queimar-lhe a nuca....Estaria a água muito quente ? Com medo, talvez, fechou os olhos....

         Seus lábios secos, molharam-se com sua própria língua....abriu os olhos, e realizou que não era verdadeira tal assertiva, um homem, estava a lhe beijar, ficou ofegante, as palavras não saíam de sua boca....sua cabeça estava a mil por hora, mas estava incapaz, de se defender, falar, agir, somente olhava, e principalmente sentia....

         O homem entrou na banheira, a água escorria pelo chão, os corpos se tocaram embaixo da água...a moça não mais se continha...o beijo...era cada vez mais forte, quente, avassalador. O arrepio agora tomava conta do corpo inteiro...Os seus seios eram tocados, de uma forma carinhosa, suave, feminina, como se o fossem por uma mulher....

         O aparelho estridente novamente voltou a estrilar...os movimentos passaram a ser rápidos...frenéticos...a respiração ofegante....Ou atendia aquele objeto ora odiado, ora nem tanto, ou ali ficava,  sentindo.... A segunda opção ganhou por votação unânime.

         Os olhos abriram, a moça assustou-se, ao ver-se com as pernas entreabertas, a água a pressionar-lhe...suas mãos em seus seios....apesar de estar tomando banho, estava suada......Um sonho...apenas....mas que sonho!!!....Nunca tivera uma experiência sensorial assim tão forte, real, e com efeitos tão vibrantes em seu corpo.

         O telefone que a despertara, parou de tocar....Respirou fundo, endireitou-se dentro da banheira e deu uma mordida, no croissant, agora de chocolate, e ligou para uma amiga, precisava repartir aquela experiência....
 
         - Oi, sou eu. - disse para a amiga, e completou - Você precisa saber o que aconteceu no meu banho, - e olhando para o croissant falou. - no meu banho doce.....doce banho