sábado, 10 de agosto de 2013

Crônica de um Capuccino....


Muito

Sentado na cadeira estou...só
A música em meus ouvidos...só
Multidão que passa e olha...só
Vejo em silêncio o barulho...só

Tento compreender tudo ...só
Uma razão qualquer basta..só
Percebo que tanto fez faz...só...
Metáfora Analogia Palavra..só

O gole ultimo sorvido do café
A mão segura a xícara e para
O inconsciente sorri timidamente
Imagem que se desenha na mente

Triste em abandonar a cadeira
Calada inerte imóvel disse tanto
Levanto e me misturo na multidão
E ......só!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

LIVRO ON LINE....


- Você tem dois banheiros aqui? Com chuveiro?
- Tenho sim. Duas suítes. Respondeu Joana.
 - Ok! Arranja-me uma toalha. Vai tomar uma ducha rápida ou molha o seu cabelo e eu vou para o outro quarto Quando tocar a campainha espere um pouco e venha com o cabelo molhado e secando com a toalha.
- E não diga nada sobre a invasão!!! Ainda alertou Rafael.
 O homem de terno preto saiu do escritório com um envelope timbrado do Governo e se dirigiu ao Palazzo Chigi! Já na sede do Governo e com vista para a Piazza Colonna e para a Via del Corso, entregou o envelope na mão do carabinieri e disse:
 - Consegnati direttamente al Comandante!
 Fez o que lhe foi pedido, o envelope trazia informações do Cônsul Italiano no Brasil e também o relato da ultima conversa com Paolo. Só podiam esperar e torcer para que o Comendador se desse por satisfeito.

 Joana estava tão confusa, atônita e perdida com aquela situação toda que não teve forças para questionar Rafael, mesmo pensando, em como poderia estar confiando naquele homem que mal conhecia. Absurdamente ainda conseguiu internamente sorrir, em plena elucubração: Que plano elaborado ele criou em tão pouco tempo.

 Ligou o chuveiro de seu quarto e ouviu o barulho de água vindo da outra suíte.

- Mais fácil assim. Disse para si mesma entrando rapidamente no box, após se despir. Saiu, da mesma forma, rapidamente e pôs a primeira roupa que achou, tempo exato da campainha tocar. Lembrou-se de pegar a toalha para secar o cabelo.

 Abriu a porta e três homens brotaram a sua frente como em dia de colheita.

 Os homens se entreolharam, como era de se esperar ao depararem com uma mulher bonita recém saída do banho e com os cabelos deliciosamente molhados,  após uma pausa, o mais sisudo disse:

 - Senhora Joana, meu nome é Donato! Sou policial federal e temos algumas perguntas a lhe fazer.

 Neste momento Rafael apareceu na sala, somente de toalha, cabelo molhado!

 - Algum problema Amor?

Sem conseguir identificar motivo racional em sua própria atitude, Roberta, deitada na cama do Hotel em que se hospedara, estava estupidamente feliz, talvez apenas, devido a melhora do ferimento, resolveu ligar novamente para o celular de Giuseppe.

O celular tocou na sala habitada por pessoas que pareciam ter saído do banho e de policias que pareciam acreditar nisso, ou seja, em demasia! Joana olhou para a mesa e viu o celular prata emitir a música que outrora a assustou.

 - Atende Amor. Eu vejo com eles o que querem com você. Falou Rafael.
A postura de Rafael de tomar conta do ambiente, de tudo, desde o momento em que ela ligara. Ao criar o plano, ao piscar quando a "mandou" atender o telefone, excitou Joana de uma forma inesperada e a qual não estava acostumada a lidar. Se todos aqueles homens tivessem a mínima ideia de quanto, os cabelos molhados passariam desapercebidos.

Enquanto Joana foi para o quarto atender o celular, Rafael se identificou como advogado e perguntou do que se tratava tudo aquilo.

 - Alô! Disse Joana.

 Do outro lado da linha, Roberta pulou da cama e gritou:

 - Chi sei? Dov'è il mio Giuseppe???

Joana gostaria de saber falar italiano como Sophia e conversar com aquela mulher. Não sabia o que dizer ou como dizer, mas também se lembrou dos homens na sala e falou:

 - Tenha calma, tudo ficara bem, tome o remédio de 8 em 8 horas.

 Roberta desesperada do outro lado da linha falava várias frases incompreensíveis.

Na sala Rafael endureceu a conversa e a postura:

 - Veja bem, minha namorada não tem nada a esconder, mas vocês não têm sequer um mandado ou intimação.Sou advogado, e aqui não é hora nem local para averiguações. Disse mostrando sua OAB, que estava na sua carteira.

 Joana retornou nervosa o que eles perguntariam a ela, iria se contradizer, mas o policial disse:
 - Senhora Joana aqui esta meu cartão! Gostaria que fosse hoje prestar depoimento, não gostaria de voltar com uma intimação ou mandado.

 - Que loucura! Falou Joana se largando no sofá.

 Rafael assentiu com um múrmuro do quarto enquanto se vestia novamente. Joana esgueirou o corpo e seu próprio olhar ficou ruborizado com o que viu e com sua atitude.

 Roberta ligou novamente, mas dessa vez o celular caiu na caixa, Joana teve o bom senso de desligar o aparelho.

Mal sabiam eles, Rafael e Joana, tampouco Paolo que pretendia entrar em ação com brevidade e muito menos Roberta, que absolutamente tudo o que conheciam estava para mudar.

Um repórter investigativo com fonte dentro da Policia Federal iria apresentar uma matéria que causar abalo da Avenida Paulista ao Coliseu!

 O fim de semana chegou finalmente e todos puderam respirar. Rafael encontrou os amigos e foi bater a sua bolinha.

 Depois de duas horas gloriosas de demonstração de falta de habilidade, à beira do campo, alguns na cerveja, outros com água, refrigerante e energéticos, Rafael viu Dr. Antônio Carlos, hoje Juiz Federal, ontem advogado de muitas farras:

 - Excelência! Bom jogo, não se mistura mais com os pobres mortais! Falou Rafael.

 - Deixa disso Rafa! Por onde anda? Você que sumiu! Respondeu o Juiz.

Rafael ia no caminho para casa com duas coisas na cabeça: tomar um delicioso banho gelado era a primeira, e a conversa que tivera com o Juiz, que o preocupara, era a segunda.
Aumentou o rádio, a música o lembrou de uma pessoa muito especial. De repente, todas as lembranças vieram à tona e uma tristeza sem controle o consumiu! A lágrima tímida escorreu pelo rosto e logo outras vieram! Aprendeu depois de muita dor que nada era para sempre, muito embora, acreditasse que fosse! E até hoje ainda a amava como ontem!

 Joana acordou um tanto quanto relaxada! Depois de escovar os dentes e os cabelos de forma autônoma e com escovas diferentes, evidentemente, foi para a sala, bastou para sentir a tensão retornar ao ver o celular prata na mesa. Depois de um rápido café e televisão simultaneamente aproveitados se trocou para ir visitar seus pais. No elevador parou por um instante e se sentiu culpada ao ver o aviso do velório de Francisco, o porteiro assassinado.  Fosse por ser fato, verdade, fosse por tudo que acontecera nos dias passados, Joana tinha a nítida sensação que estava sendo observada! O calafrio na nuca a fez lembrar-se do filme de M. Night Shyamalan.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

LIVRO ON LINE....


- Joana, não sei o que esta acontecendo! Vendo a bagunça que ainda estava ali na sua frente, perguntou: Roubaram algo? A polícia esta ai porque acho que quem entrou aqui matou o seu porteiro!

Joana assustada e confusa balbuciou:

 - Mataram? Aqui? Meu Deus...

 No meio do caos e com a ajuda de Rafael, começou a arrumar e separar suas coisas, não notou falta de nada! Televisores, até a caixa de joias, estava intacta no quarto, o dinheiro em cima da cozinha estava lá!

 - Meu notebook!!!! Falou quase gritando quando passou pela mesa do corredor.

O seu celular tocou e olhando para Rafael, quase como precisando de aprovação, atendeu, ao vê-lo assentindo com a cabeça!

 - Sophia? O que? Por quê? Quando? Obrigada. Era o que faltava! Invadiram meu apartamento e mataram meu porteiro! Verdade! Beijo querida.

- Sim! Estou indo para lá! Disse o policial para o delegado federal responsável pela investigação!

 - Será que ela esta envolvida? Completou!

 - Se não estiver, é muita coincidência. Checamos os dados. Ela consta do boletim de ocorrência da morte do italiano. Foi a ultima pessoa a ter contato com ele e acaba como médica da mulher baleada no aeroporto pelo outro italiano? Não se esqueça das informações que vieram da Itália.

- Quem era, perguntou Rafael?

 - Era Sophia. Médica do Hospital. Disse-me que a policia federal, quer falar comigo. Respondeu Joana.

 - O que eles querem? Indagou Rafael.

 - Você lembra-se daquele tiroteio no Aeroporto? A moça que foi baleada foi atendida por mim e parece que fugiu! Disse Joana.

 - Então tudo bem.  Não há de ser nada importante. Falou Rafael.

 - Será que eles sabem que ela é mulher do dono deste celular? Replicou Joana pegando o celular em sua bolsa.

 - Como assim? Do cara morto? O que você chama de "olhos azuis"? O que morreu em seus braços? Rafael, um pouco nervoso, comentou.

Rafael, com a garganta seca, perguntou se Joana tinha algo para beber:

 - Tem suco, refrigerante diet e água.

 Enquanto tomava o suco de acerola, sem muito se importar com o gosto, começou a pensar como advogado e quase resmungando foi dizendo:

 - Homem morto (celular), ataque ao IML, mulher baleada, apartamento saqueado, policia federal.

 - Ah esqueci-me de te dizer! Quando no desespero entrei aqui e não achei meu celular, te liguei do dele. Disse Joana interrompendo.

 - Não! Você não fez isso! Falou Rafael.

 - Fiz, fiz sim! Respondeu Joana, que percebendo o olhar desgostoso de Rafael completou:

 - Eu estava desesperada!

 - Tudo bem! Ok. Mas precisamos pensar. A invasão ao seu apartamento não foi aleatória, acho que você corre perigo.

O dia de sol em Roma não impediu que o homem de gravata e terno escuro andasse rapidamente em uma das principais estradas da antiga Roma; A Via Appia, que recebeu este nome em memória do político romano Ápio Cláudio Cego, que iniciou sua construção em 312 a.C.

O homem entrou no escritório e não se permitiu esboçar um sorriso embora tivesse se alegrado com o ar refrigerado.

 - Você chegou muito tarde Bettega.

 - O que ele disse? Perguntou o homem de terno preto!

 - Ele falou que todos estão mortos. E que ainda esta atrás de Roberta e dos arquivos que Giuseppe roubou.

Paolo desligou o telefone com a promessa que sua família seria poupada. O fato de ter matado os demais, foi levado em consideração. Mas para sua vida ser poupada teria que encontrar o que Giuseppe disse que tinha em mãos quando fugiu para o Brasil juntamente com uma mala cheia de dólares e euros! Mas como teria acesso à Roberta? Só poderia estar com ela! Enquanto pensava no que fazer começou a vasculhar o pen drive que tinha as informações do notebook de Joana.

 

Joana ligou para o consultório e pediu para a secretaria cancelar a agenda. Não tinha cabeça para atender os pacientes hoje.

- Se for algo urgente encaminha para o Dr. Rubens! Teve o cuidado de alertar sua secretaria.

 Enquanto Joana arrumava as coisas Rafael mexia no celular de Giuseppe.

 - O que será que tem aqui? Porque ele colocou no seu bolso? Estranho não ter código de acesso/bloqueio.

 O suco de acerola parecia um tanto quanto estranho para ser bebido e preferiu deixar o copo pela metade. O interfone tocou e Joana ficou indecisa e receosa se devia ou não atender!

 - Atende! Pode atender. Falou Rafael.

- Quem? Querem falar comigo? Subir agora? Falava Joana com o Zelador pelo interfone.

 Rafael fez um sinal com as mãos, uma mímica. Joana pareceu entender e disse:

 - Eles não podem esperar? Vir mais tarde. Estou no banho!

 Joana esperou alguns segundos a resposta e desligou.

 - Eles estão subindo.

 - Banho? E eu? O que estou fazendo aqui? Falou Rafael.

 - O que você quis dizer então? Replicou Joana emburrada.

 - Nada, não importa agora! Disse Rafael olhando para a sala e tentando pensar em algo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LIVRO ON LINE.....


Paolo se certificou que Joana não estava em seu apartamento! Ficou aguardando a oportunidade e quando uma senhora com compras entrou no prédio, com seu charme italiano e português macarrônico, deu o bote e se ofereceu para ajudar! A senhora agradeceu e o porteiro imaginou que Paolo a estivesse acompanhando! Para um escroque como ele foi fácil abrir a porta do apartamento de Joana! Procurou e revirou o que pode! Não achou o que queria, levou, ao menos, o notebook!

O celular tocou e Rafael viu no visor do carro quem era e pensou:

 - Caramba! O que ela quer comigo?

 Acabou por atender a ligação, pôs no viva voz, ouviu a voz feminina dizer:

 - Rafael? Atrapalho? Desculpe por ontem, percebi que estava ocupado!

 - Imagina Priscila! Ontem não pude falar com você porque estava em um jantar!

 - Estou precisando de seus serviços de Advogado! Falaram-me que você trabalha com Direito de Família! Falou Priscila!

 - Trabalho sim! Vou te dar o número do escritório e você marca com a minha secretaria, pode ser?

 - Claro! Ligo para ela, sim. Obrigada, um beijo.

Joana olhou o relógio e percebeu que para sua sorte ainda estava cedo para ir ao consultório.

 - Vou dar um pulo em casa e trocar de roupa.  Pensou em voz alta!

 - Caramba! Porque não abre o portão? Embora não gostasse se viu forçada a tocar a buzina.

 Lá de dentro de seu carro, com a música e envolver seus pensamentos não imaginava que o porteiro perguntava ao homem que saia:

 - Quem é o senhor? Em que Apartamento foi?

Paolo sem nada falar mostrou o revólver. Pulou para o outro lado do balcão, entrando na frágil guarita. Tirou a fita do DVD e atirou no equipamento de CFTV, e por quase diversão, pois dificilmente seria identificado, no porteiro.

 Saiu a pé calmamente, não sem antes apertar o botão que abria o portão, para não chamar a atenção, já que a moça não conseguia ver dentro da guarita e usou o silenciador.

 

Roberta chegou ao portão 28, ofegante, pálida! Estava tão confusa, preocupada, fraca que sequer percebeu a nesga de sangue que saiu do ferimento do tiro que levara neste mesmo aeroporto! Entrou na fila para embarque e tão logo apresentou o cartão e o passaporte viu a moça da empresa aérea lhe fazer um sinal para esperar e ir conversar longe dali. Giuseppe a tinha ensinado bem, quando a moça voltou com dois policiais federais não mais a encontraram.

Joana pôs a chave na porta e seja por habito ou costume nem se deu conta que a chave foi inútil. A porta já estava aberta! Quando entrou em seu apartamento o choque foi imenso, estava tudo revirado. O primeiro impulso foi o de sair correndo, mas por qualquer razão carente da própria razão respirou fundo e entrou. O pior foi no seu quarto, suas roupas todas jogadas no chão, gavetas caídas! Teve a certeza que quem quer que fosse não estava mais lá! Voltou, trancou a porta e assim que sentou no sofá, desabou em choro!

Assim que Rafael chegou ao seu escritório a secretaria um tanto aflita, disse:

- Doutor! Tem uma moça ligando direto. Disse que seu celular não atende! Eu tentei acalmá-la, mas não teve jeito!

 - Ela não disse o nome? Priscila? Perguntou Rafael.

 Quando a secretaria iria responder, Rafael percebeu, enfim, o celular vibrando, olhou no visor e não reconheceu o número!

 - Alô?

- Rafael! Assaltaram meu apartamento. Esta tudo revirado. Você pode vir? Não sei a quem recorrer. Aflita e em indisfarçável choro Joana disse.

Rafael não pensou duas vezes! Antes de sair do escritório disse para a secretaria.

 - Mande a Dra. Gabriela fazer a minha audiência das 14h e anote os meus recados.

 Do carro ligou para Joana e pegou o endereço:

 - Esta mais calma? Já ligou para a polícia?

 - Estou muito nervosa ainda! Posso esperar você chegar?

 - Claro! Estou a caminho. Falou Rafael tentando tranquilizar.

Quando Rafael chegou na rua da casa de Joana viu os carros de polícia e imaginou que alguém tivesse acionado os policiais.

- Ela esta de folga do plantão hoje! Falou João para o policial federal.

 - Esta Dra. Joana estava aqui quando a paciente sumiu? Questionou o policial.

 - O que vocês estão querendo? Aqui é um Hospital Publico! Olhe a seu redor! A mulher sumiu? Não temos condição de vigiar os pacientes! Interrompeu uma já aviltada e indignada Sophia!

 - Agora se não tem nada mais importante, por favor, nos deixe trabalhar! Concluiu, puxando João pelos braços.

 O policial se calou e foi ao departamento pessoal pegar o endereço da médica, no caso, Joana.

Paolo copiou tudo o que tinha no notebook em um pen drive e se livrou do aparelho juntamente com a arma que matara o porteiro! Esperou pacientemente o caminhão de lixo passar e viu o saco que deixara no lixo, ser jogado no triturador. Não estava feliz ou tinha ausência de consciência do que fizera, mas não tinha opção! Se deixasse algo espirrar no Comendador, sua família seria atingida e isso não iria permitir. Apesar do que parecera, não matara por diversão, mas por sobrevivência.

- Oi! Cheguei! Estou estacionando o carro.A polícia esta aqui. Você chamou? Falou Rafael!

 - Não! Eu não chamei ninguém. Será que foi o porteiro? Respondeu Joana.

 Rafael foi tentar entrar no prédio e foi barrado por um policial ainda na calçada:

 - Não pode entrar Senhor! A área esta isolada! Houve um crime!

 - Crime? O que aconteceu? Minha amiga mora aqui e vim visitar.

 - Mataram o porteiro.  Uma execução. E coisa de profissional! Levaram a fita de gravação e destruíram o gravador! Disse o tagarela policial militar!
O zelador autorizado pela policia ligou para Joana e apenas perguntou se Rafael podia subir!

 Rafael subiu pela garagem. Estava tenso. Como iria dizer para Joana que o porteiro fora assassinado? A pessoa, ou pessoas, sabe se lá, que tinham ido ao apartamento dela deveriam ser os responsáveis.
- Obrigada! Obrigada por ter vindo! Falou Joana assim que Rafael entrou pela porta!
 O abraço que ela deu foi tão cheio de energia que uma corrente de eletricidade percorreu o corpo todo tanto dele como dela. Sem que nada fosse dito, com os olhares fixos trocados entre si, recíprocos, cúmplices, pedintes, em meio ao caos, os dois se beijaram! As bocas se tocaram com carinho, paixão, desespero, em uma sinfonia melódica e potente.
Roberta desistiu de tudo que tinha em mente. Giuseppe provavelmente estava morto! Não poderia ser diferente, lembrava-se de cada verso, prosa, promessa, de todas as juras de amor!

 - Ho i soldi! Io sono una donna ricca! Disse.

 E tinha razão, com todo o dinheiro que Giuseppe havia deixado poderia comprar uma casa, ter empregados! Porque arriscaria ser presa? Porque voltar para um passado que ambos tentaram fugir?
As bocas não queriam! Os corpos suplicavam por mais! Não havia nada ou ninguém que pudesse interromper aquela onda gigantesca de paixão que irradiava além da razão, do querer, do desejo! Por um minuto pareceu que o destino tinha encontrado seu lugar, seu canto de aconchego! Rafael pôs Joana sob seu peito e afagou seus cabelos, confortando-a previamente, e então disse:
Hoje estava almoçando e li a reportagem sobre coma. O estado em que alguém fica quando por acidente ou alguma situação é induzido ao coma.
Me lembrei de imediato de um irmão de um amigo meu que esta nesta triste situação.
Essa é para você, que saia logo desta para nos contar a sua história e nos alegrar com sua incrível força.

Despersonalize-se, vazio fique...
Imagine a ultima conversa sua...
O que traz a ti a sua memória..
Alegria, Dor, Paz, Saudade...

Fecho os olhos e escuto quieto....
Vejo o som crescer e me cegar...
Intensidade que arrebata forte...
O corpo dominando sua mente...

Nesta pequena utopia se junte....
Reaprenda a andar falar ouvir...
As palavras unidas a fazer sentido...
Antes que o mar venha e te carregue...

Deixo a areia escoar entre os dedos...
A memória a peneirar cada segundo..
Aguardo ansioso a próxima conversa...
Personalizei-me! Sei quem eu sou!

domingo, 4 de agosto de 2013

LIVRO ON LINE.....


 - Fecha a boca, menino! Joana falou bem perto de Rafael delicadamente e literalmente o deixando de boca aberta!

 Do outro lado da cidade, Roberta ainda enfraquecida, entrou no primeiro taxi que apareceu na sua frente!

- Google questo è fantastico!!! Falou animado Paolo ao fazer uma pesquisa rápida na internet!

Em pouco tempo, ficou sabendo quase tudo sobre Joana, sua vida, seus gostos, amigos e endereço! A Médica estava no linkedin, orkut, twitter e facebook!

Mal ele sabia que na Policia Federal, seus ex-amigos Giuseppe e Antônio, mesmo mortos, em uma vingança além túmulo, o estavam delatando naquele exato instante!

- Para aonde Dona? Perguntou o taxista!

 - Aeroporto, per favore! Quase sem forças respondeu Roberta!

 Enquanto Rafael limpava o suco de laranja, praguejava e ao mesmo tempo esgueirava o olhar tentando visualizar Joana:

 - Maldito suco de laranja, como pode um copo melar a cozinha toda!

Ajoelhado e com o pano na mão sentiu a presença de Joana, próxima, primeiro pelo perfume e depois pelo sapato que vinha em sua direção!

 - Aonde você vai? Precisamos conversar! Falou Rafael levantando!

 - Vou trabalhar! Fique tranquilo! Nada aconteceu! Você foi um anjo e fraco para bebida! Te trouxe para casa e você apagou! Estava tão cansada que acabei ficando! Desculpe-me! Disse Joana dando-lhe um beijo no rosto!

 - De Nada! Falou um atônito Rafael, segurando o pano!


- Como assim? Sumiu? Que espécie de Hospital é esse? Falou o Delegado da Policia Federal em tom áspero!

 - Calma lá, meu senhor! Estou dobrando plantão! E aqui é um Hospital Publico! O que esperava? Respondeu Dra. Sophia com João a seu lado!

 - Vocês tem câmera de segurança? Questionou o Delegado!

 - O Senhor esta de brincadeira? Esta vendo as macas no corredor? Temos sorte se não faltam remédios! Disse Sophia nervosa.

 O Delegado fez menção de estar indignado, desrespeitado!

 João interveio:

 - Calma, estamos todos nervosos, vamos procurar a paciente!

 Rafael ficou parado vendo Joana sair por sua porta, com o pano na mão (pelo menos o chão estava limpo, pensou).

 Da noite passada só conseguia lembrar-se do stake ao poivre e do perfume de Joana!
- Que mulher  é essa. Disse em voz alta, passando a mão no cabelo.

 Foi tomar um banho, também precisava trabalhar! A água quente logo enfumaçou todo o banheiro! Seu corpo relaxou e deu um sorriso maroto ao imaginar que poucos minutos atrás Joana estivera lá, nua!

Roberta passou a noite no setor de embarque! Para variar ocorreu um atraso colossal em todos os voos! Tentou até comer alguma coisa! Mas, não conseguiu! Estava tão fraca que acabou dormindo na cadeira! Quando acordou levou um susto, uma menina daquelas bem chatas a olhava tão de perto que quase sentia a sua respiração!
-  Mãe, olha! Ela acordou!

 - Gabriela, não incomode a moça! Falou a condescendente mãe!

No alto falante enfim:

 - Passageiros com destino a Zurique! Voo 7654! Embarcando agora no portão 28!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


UM DIA COMO OUTRO QUALQUER?

Felipe acordou com o gosto do travesseiro na boca. Literalmente.

Chegou em sua casa na madrugada tão anestesiado pelo que bebeu na noite anterior que ao desmaiar na cama caiu em perpetuo desacordar.

O travesseiro babado foi largado ao chão. O rosto sofreu com a água sendo jogada vivamente na pele.

Queria, precisava despertar. Sua memória lhe trazia flashes da noite anterior. A imagem de uma mulher lhe era recorrente.

Sentiu uma dor na boca e a imagem dela mordendo sua boca com tamanha vontade e tirar sangue de seu lábio o tomou como um trem descarrilado.

Já meio recomposto, sentou na cadeira e bebia o suco de laranja de caixinha vencido a dias. A blusa branca não passou incólume aos pensamentos vagos.

O estrago quando o celular tocou naquele ambiente hermeticamente mudo só não foi maior porque o copo era de plástico, o suco esparramado pelo chão. Não sabia se limpava o chão imediatamente, para não ficar com o piso grudento ou atendia o celular.

Sua hesitação foi patética, acabou pisando no suco e levando o estrago para a sala e quando chegou o celular já tinha parado de tocar.

O número no visor era de chamada bloqueada. Quem seria aquela hora? Pensou e a nenhuma conclusão chegou.

Olhou para a cozinha, para a sala e tomou a decisão que para ele era a mais acertada no momento. A meia foi tirada e jogada em um canto qualquer do chão convidativo.

O corpo quase tão inerte quanto ele foi alçado ao sofá que como um molde de modelar daqueles de criança se amoldou perfeitamente ao sofá.

Não se passaram nem 5 minutos e o interfone começou a tocar.

A ignorância ao som que repercutia repetidamente ou por simplesmente estar oscilando entre o sono, o sonho e a realidade, o fez deixar o chamado qual fosse a razão sem atendimento.

As mãos esfregaram os olhos. Quanto tempo dormiu? Do sofá tinha acesso à janela e a noite já tinha tomado conta da luz.

Estava tão perdido quanto no momento que o gosto do travesseiro invadiu seu paladar. Precisou respirar.

O celular quase o fez cair do sofá, sorriu ao ver o suco de laranja longe, dessa vez não, pensou.

Atendeu, e o silencio do outro lado da linha era em voz escutado, o que quebrava o silêncio era a respiração de quem quer que fosse.

Antes que pudesse dizer Alo, a linha caiu e o sinal de ocupado parecia tão alto como um congestionamento.

Que dia estranho estava tendo ou sua vida era essa bagunça, já não tinha mais certeza de nada.

Colocou uma roupa qualquer e pensou em dar uma volta. O desânimo foi desanimador quando viu seu carro batido na vaga que não era a sua.

O Zelador veio e ainda lhe deu um pito. Disse que ligou a noite toda, pelo interfone, para que colocasse o carro na vaga certa e que a vizinha estava louca da vida com esse fato.

Foi lá Felipe, em total desconserto, tocar na casa da vizinha para pedir desculpas. Se tivesse olhado no retrovisor do seu carro não teria ido. A camisa suja de suco, a calça surrada, o rosto denunciador do porre da noite anterior.

A campainha, tocou, uma, duas, três vezes. Presumiu que não havia ninguém.

Estava voltando para pegar o elevador, quando ouviu o barulho de chave.

A mulher enrolada em toalha o cabelo molhado.

Felipe, calou, mudo ficou, as palavras faltaram, gaguejou e não conseguiu articular nada.

A mulher que o conhecia de vista, percebeu do que se tratava, e ainda que quisesse dizer um caminhão de desaforo, riu, gargalhou.

Ele atônito, relaxou.

Enfim o som saiu de sua garganta e pediu desculpas. A noite passada mostrada em sua própria persona e imagem foi apresentada como desculpa.

A mulher por uma razão que até aquele ponto não pode ser considerada ou entendida por ninguém o convidou para entrar.

Assim, que entraram, ela deixou, a meu ver propositadamente a toalha cair e o corpo desenhado como se fosse por Michelangelo se revelou.

A blusa de suco foi ao chão assim como o suco no seu apartamento. Os corpos alucinados se encontravam, repuxavam, em uma espécie de briga e conciliação.

As bocas se beijavam com a mesma intensidade e no ritmo que Felipe a possuía. Intenso, Forte.

O grito mudo, abafado, foi tanto dele como dela. O gozo repetido, sequencial

A porta se fechou, e nem o nome dela ele soube.

Na semana seguinte uma carta da Administradora chegou em seu apartamento, fora multado por parar o carro na vaga que não a sua.

A mulher nunca soube o nome, mudou-se na mesma semana que chegou a multa.

Não mais comprou suco de laranja e o carro estava na concessionária para o conserto.

Até agora enquanto escrevo essas palavras, ele não se lembra da noite anterior ao dia mais estranhamente comum de sua vida.....